quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Até breve...

Preciso deixar meu até breve.
Preciso assumir que não dá mais.
Aceitação é um dos pontos que trabalhamos no processo de recuperação.
Então preciso aceitar que não dá mais pra escrever.

Muita gratidão a cada um de vocês que está aqui comigo e que me ajudou a ser alguém melhor...
Isso não tem preço!

Mas não dá...

Calma, calma, calma....
Estou bem, serena e cada dia mais em busca do meu bem estar, como sugere a primeira tradição.
Estou feliz e em paz. Durmo tranquila e sem culpas todas as noites.

É claro que às vezes ainda saio do eixo, mas não me abalo. Não me cobro mais por isso, não me cobro a perfeição.
Normal sair do eixo às vezes...

Mas não dá mesmo!

A quebra de anonimato dele em relação a nossa história, que era tão linda e sagrada até então, foi inaceitável para mim. Já mencionei sobre isso aqui e sobre o quanto doeu.

Saber que a "namorada" pode ter acesso a MINHA vida, aos MEUS sentimentos e a NOSSA história não está sendo fácil de digerir e como não gosto de alimentar sentimentos ruins, melhor parar.

Incomoda-me decidir parar de escrever, já que é algo que faço com amor.
Amo poetizar a vida. Amo metáforas. Amo escrever... Se eu não fosse professora de Química seria de língua portuguesa!
Incomoda-me bastante também o fato de ter que me policiar sobre o que devo ou não devo escrever.
Incomoda-me...
Então, se for para escrever assim, prefiro abrir mão.

Eu deixarei de escrever, mas jamais conseguirei apagar os registros dessa história.
Não dá para retirar do papel as marcas deixadas pelo lápis...


Aqui tem o registro de uma linda história de amor, dedicação, luta, dor e vitórias.
Aqui tem crescimento espiritual.
Tem momentos de insanidade também, mas mesmo nesses momentos, há uma busca constante pela serenidade. 

Entretanto, eu não tenho como saber (e nem quero) a frequência com que ela acessa ou já acessou esse blog. Mas, se ela acha que EU (coitada de mim!) estou atrapalhando o namoro dela (palavras dela!), imagino que ela possa estar um pouco dominada por sentimentos inconstantes.

E isso não é bom para ninguém, principalmente para mim, que, ao contrário do que ela disse, não tenho culpa de nada.

Apesar da raiva aparecer as vezes, meu sentimento por ambos é de compaixão.
Já comentei isso aqui.
Compaixão por ele: porque não acredita em si mesmo e prefere viver na negação da doença.
Compaixão por ela: porque é muito triste viver uma relação assim, culpando uma terceira pessoa pelo que dá errado.

Sinto muito!

Enfim, se para evitar conflitos e viver em paz eu preciso abrir mão do blog, assim o farei...
Não dá mais.
Não dá para continuar partilhando a minha vida com vocês, sabendo que existe alguém que se incomoda tanto com minha existência, que pode estar acompanhando isso.

Definitivamente não dá...
Só por hoje não dá...

Então é um ponto final? Ou reticências?
Não sei...
Mas, vale lembrar que na última postagem mencionei sobre minha decisão de direcionar o foco para mim mesma.
Então, esta é a hora. E estou conseguindo fazer isso.
É um processo um pouco dolorido, mas que está valendo a pena.
E mudar o foco inclui não falar mais dele.

Depois do que ele fez, não quero o mínimo contato.
Já convivi muito tempo com ele na fase ativa e sei muito bem do que um adicto é capaz de fazer.
E não podemos esquecer que a doença é progressiva.

Mas, independente das atitudes dele, meu sentimento por ele é de extrema gratidão.
Apesar de ter me magoado muito ao me expor, o fato de ter me deixado foi a maior prova de amor que ele poderia me dar, afinal, ele me poupou de sofrimentos maiores, me poupou de reviver todo aquele furacão da doença ativa.
Sim, eterna GRATIDÃO!

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Quanto a mistura "água + vinho"...
Só tenho uma coisa a dizer...
Estou feliz e sem expectativas. Continuamos nos conhecendo, conversando, conversando, nos conhecendo, conversando mais um pouco...
Está tudo bem!

Quanto a nós, eu e vocês, minhas companheiras, estaremos unidas sempre.
Sabemos como nos encontrar, nos reconhecer e nos comunicar.

Saibam que estou bem e feliz!

Amo vocês...
Gratidão por me ajudarem e me amarem!




quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Dois Grandes Encontros...

Olá...
Saudações!

Acho que preciso dar um retorno sobre o fim de semana, não é mesmo?

Desde já adianto que foi um fim de semana de DOIS ENCONTROS mega especiais e contarei sobre ambos.

Para quem leu a postagem anterior (se você não leu, clique aqui!), com minha explicação científica sobre a mistura "água + vinho", posso resumir assim:
A química é mesmo muito perfeita!

Se você compreendeu a metáfora que usei na postagem, percebeu que associei a química para tornar mais leve minha decisão de desviar totalmente o foco do adicto, e de suas escolhas, e direcionar o foco para mim mesma.

Afinal, chega de dar holofote ao adicto que escolheu outro caminho, né???
Direito dele, escolhas dele e consequências dele.
Se são certas ou erradas somente ela poderá responder.

Sendo assim, é isso... 
Só por hoje, o holofote agora pertence a Flor...


E por isso, voltando a ciência, para você que até hoje não sabe para que estudou química no ensino médio e acha que ela não serve para nada, entenda que:
- todas as nossas emoções não passam de um conjunto de reações químicas;
- incluindo as sensações de prazer, de amor, de ódio, de bem estar etc;
- somos controlados por hormônios (substâncias químicas) que desencadeiam essas sensações;
- acho até que é válido frisar que a adicção acontece devido a substâncias químicas presentes em medicamentos, plantas, compostos sintéticos, bebidas etc, que são capazes de causar dependência psíquica, física e/ou química em nossos organismos devido às enormes sensações de prazer desencadeadas. 

Garanto que isso é o mínimo dos mínimos que a química é capaz de fazer com você!
(Risos!)


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O primeiro, e especial, encontro...

Bom, rompi minhas barreiras e fui...
As borboletas no estômago só pararam de bater as asas quando cheguei até ele, que com sua sutileza conseguiu logo me deixar à vontade.

E foi muito legal...
Sim, realmente somos diferentes. Muito diferentes...
Senti as diferenças.
Mas por isso que foi legal, foi importante, foi diferente, foi excêntrico, foi doce...

Ficou muito claro para mim o quanto esse passo era fundamental para eu me permitir renascer. Para eu entender que, só por hoje eu tenho escolhas e:

"...me ajustarei à realidade e não tentarei ajustá-la a mim. Aceitarei a vida da forma que ela se apresenta e me ajustarei a ela".

A minha realidade é que o adicto escolheu não mais fazer parte da minha vida.
E eu não tive a mínima participação nessa decisão, quem desistiu foi ele, não eu!
Sendo assim não posso (e nem vou) sofrer ou me culpar se algo der "errado" em tal decisão.
(Lembrando que a minha concepção de "errado" pode ser bem diferente da dele)

Em contra partida, tenho muita gratidão, pois, caso ele esteja fazendo escolhas que o levem a permanecer na negação da doença, EU NÃO PARTICIPO MAIS DISSO!
Sendo assim, ele me poupou a dor e o sofrimento.

Mas, voltando ao encontro...
Percebi que eu ainda estou dentro de um casulo.
Inicialmente senti medo, insegurança... Senti um montão de coisas...
E me permitir sentir tudo.
O programa me ensinou que eu posso, e devo, me permitir a sentir absolutamente tudo, desde que eu saiba lidar com tais sentimentos e dê a eles a sua real importância e escolha como vou reagir às emoções.

Então eu digeri!
E depois fiquei leve...
E vi que foi o primeiro passo para começar a sair do casulo.


E foi maravilhoso me deixar conduzir pela ausência total de expectativas.
Repetindo as palavras dele antes dessa viagem:

"... Deixar acontecer
Aproveitar o dia
Por um dia
Uma hora
Um segundo
Seja como for..."

E assim foi...
E valeu a pena!

Eterna gratidão ao Poder Superior, que por me amar tanto, me apresentou alguém tão diferente de mim e que foi capaz de me ensinar tanta coisa.

E agora, o que faremos???
Não planejamos...
Mas continuamos conversando, nos conhecendo, conversando, conversando, nos conhecendo, nos conhecendo, conversando...

E assim será...



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O segundo, e esperado, encontro...

Esse vocês nem imaginam ainda...
O primeiro encontro aconteceu na Capital Federal, Brasília.
Ou seja...
Claro que encontrei também uma outra pessoinha. Alguém muito mais do que especial!

Eu e Poly passamos a segunda-feira juntas, até a hora de meu embarque.
Foi um momento meio mágico, acho.
O sentimento que tive era de que nos conhecíamos há anos...
Acho que essa sensação foi recíproca.

Trocamos muitas figurinhas e fofocamos.
Falamos de nossos trabalhos, trocamos ideias.
Almoçamos juntas.
"Planejamos" algumas coisas (Vou te cobrar heim, Poly! risos).
Conheci seu esposo, uma pessoa super iluminada e 'do bem', e eles me levaram ao aeroporto (Poly, diga a ele que estou na torcida aqui, e que vou cobrar a promessa dele também!).

Tenho muita gratidão a essa mocinha. Ela, de certa forma, foi um anjo em minha vida, não tenho dúvidas.
Ela cuidou de mim muitas vezes, mesmo sem saber, por meio de suas palavras escritas com tanto amor.
Ela me inspirou a seguir em frente buscando por minha recuperação.

Quando eu crescer quero ser igual a ela!


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E assim aconteceram meus encontros especiais do fim de semana...

No mais, desejo que as suas próximas 24 horas sejam de muita serenidade, luz e de paz.
Desejo que você olhe para si e veja o quão especial você é e que merece ser feliz!

Gratidão eterna!


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Polaridades

Metaforizando mais uma vez...

Sobre a água e o vinho...

As diferenças gritantes entre nós já não me incomodavam, aliás, como eu disse, elas estão até me divertindo...
Mas, lá no fundo, algumas borboletas estavam (e ainda estão) batendo as asas dentro do meu estômago, incansavelmente.
O novo sempre me causa certa insegurança...

Então, refleti bastante, li a literatura e cheguei a uma conclusão a partir de meus conhecimentos científicos, e vou dar a você uma pequena explicação química sobre o assunto!
(Como uma dedicada professora de química, adoro falar de ciência! rsrsrs)

Vamos lá...
Sobre a água e o vinho...
O que tenho a dizer?

Quimicamente falando, sermos "água e vinho" não há problema algum, o problema existiria se fôssemos "água e óleo".

Você já reparou que a gente consegue fazer, facilmente, uma mistura de "água + vinho", mesmo sendo substâncias completamente diferentes?
Reparou também que se tentarmos misturar "água + óleo" não teremos sucesso?

  

Sabe por que isso acontece?
Porque as moléculas que constituem a água e o vinho são, ambas, "polares", enquanto que para água e óleo, temos o óleo que é  "apolar".

TRADUZINDO:
Em ciência, só é possível misturar uma "coisa" com a outra se temos ambas polares ou ambas apolares. Por isso água e óleo não se misturam. Dizemos que possuem polaridades diferentes!

Somos água e vinho...
E daí?
Somos diferentes...
E daí?
Temos visões políticas diferentes...
E daí?

Se eu colocar o foco no fato de que somos ambos polares, então está tudo certo!
A mistura é possível de acontecer.
Essa está sendo a magia...

- Esqueci definitivamente o adicto?
Não é tão fácil, sabemos disso...
- Estou apaixonada pelo novo?
Claro que não, ainda é cedo.
- Temos uma relação?
Não... Até porque ele mora há alguns quilômetros de mim.

Entretanto, está sendo uma ótima oportunidade para eu retirar o foco do adicto e direcionar para mim, cumprindo o que é sugerido na 1ª tradição:
"O nosso bem estar comum deve vir em primeiro lugar..."

Só por hoje, o Programa me ensina que tenho a opção de aceitar com serenidade a realidade que tenho para viver as 24 horas que recebi.
Caso eu não aceite, eu irei sofrer.
Sendo assim, escolhi por aceitar a realidade!
E a minha realidade, nessas últimas 24 horas que o Poder Superior preparou para mim, é a ausência do adicto e a presença de alguém que está disposto e me trazer paz.

Então, por que não permitir?

Água e vinho?
E daí?

E, após receber as palavras abaixo, eu fiz a reflexão sobre a mistura "água + vinho" e me dei conta de que era uma mistura possível de acontecer. Então ele me convenceu a entrar num avião, no próximo final de semana, e ir encontrá-lo. E assim eu farei.

"...Com relação a você... Bom, sei lá o que me atraiu...
Talvez esse seu despojamento sem sentido, essa naturalidade*...
Quanto a vir, seria diferente, exótico, portanto, único...
...
... Se a sua espontaneidade permitir, venha.
Será assim, sem perspectiva...
...
Vamos fazer diferente
Ousar
Você vem
Ficamos juntos
Sem expectativas
Deixar acontecer
Aproveitar o dia
Por um dia
Uma hora
Um segundo
Seja como for...
...
Está disposta?..."

O Programa me ensina também que, só por hoje, eu tenho a opção de escolher SER FELIZ, e que eu serei tão feliz quanto eu decidir ser!
Todas as pessoas têm o direito de escolher que caminho querem seguir em suas vidas.
Ele escolheu o dele.
Eu estou escolhendo o meu: o caminho da serenidade e da aceitação, sem culpas.

Gratidão ao Poder Superior que cuida de mim de forma tão linda!

Paz e serenidade!



EXPLICANDO o ponto:
*seu despojamento sem sentido, essa naturalidade...
Até o final do Seminário (com quatro dias de duração) que realizamos pela Secretaria e que ele foi o principal palestrante, eu não havia trocado uma única palavra com ele.
Após o encerramento, morta de cansada e sem sapatos, sentei ao lado dele para uma foto e, sem querer, soltei um palavrão por conta da demora de minha amiga em registrar o momento.
No mesmo dia, bem mais tarde, ele entrou em contato...